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no domingo passado fui passear até mealha e cachopo, no interior do concelho de tavira. já tinha ido a cachopo guiada pelas placas invulgares mas desconhecia tudo o que vi. o passeio foi muito bem organizado pelo palácio da galeria/ câmara de tavira (já referido aqui).o tema deste primeiro passeio foi o coberto vegetal, a tecelagem e os artefactos, no qual foi possível interpretar o território através dos ciclos de apanha, tratamento e transformação sugeridos pelo ciclo anual da paisagem humanizada serrana*.
a visita começou pela mealha. percorremos grande parte da aldeia, olhámos as construções e algumas das suas particularidades, os fornos, o interior das habitações já não habitadas, a paisagem e a vegetação. falámos com os aldeões, vimos e entrámos nos palheiros.
o passeio seguiu para o atelier da d. beatriz que nos mostrou o seu tear. ensinou ainda a urdir, a encher a canela, que depois encaixa na lançadeira e é esta que vai ser passada pelos fios da urdidura [nota: os fios da urdidura são os fios ao longo do tear e os fios da trama são os conduzidos pela lançadeira] e a tecer, pelo abaixamento e levantamento alternado de cada série de fios*.
seguimos para a loja-atelier da d.conceição que também faz meias com cinco agulhas e que nos mostrou o seu trabalho e outros teares.
voltámos para cachopo para almoçar e para ver o museu vivo com visita guiada. a d.otília explicou e exemplificou quando possível as voltas que o linho dá até ao produto final.a linhaça é semeada e colhida. depois o colmo e a espiga amarelecem e são sacudidos ou mastovados. a linhaça é depois curtida ou alagada e demolhada durante uma semana. depois secada e pisada a malho. depois é tasquinhada com paleta de madeira, separando as fibras mais longas dando origem ao fio de linho e as mais curtas à estopa. as fibras são fiadas com fuso e roda de fiar* ou como se fazia antigamente quando havia tempo com a roca. mas pelos vistos todo este processo ainda se mantêm [ou vão-se mantendo!].a d.otília mantém para além do museu vivo, o quiosque o moinho que promove os produtos e costumes da zona de cachopo [e dá formação em tecelagem manual?]. para além disso, disse-nos que teve formação no tratamento e processamento do linho e em tinturaria natural e que por isso ainda cultiva algumas plantas para esse fim.o passeio terminou com uma visita ao núcleo museológico de cachopo, onde estão retratadas as actividades (com alguns dos respectivos utensílios) e os costumes serranos que ainda se mantêm [a muito custo?].:: todas as fotografias do passeio aqui.
[agradeço à marta santos que tão bem nos orientou durante o passeio e que disponibilizou alguma informação acerca das três artesãs.]
* retirado e/ou adaptado do panfleto informativo do passeio.
já fiz algumas compotas desde que decidi começar a fazê-las em casa, há quase um ano. umas bem sucedidas outras nem por isso. uma doces demais e outras quase sem sabor. comprei alguns livros, uns óptimos, outros não tão bons e outros só pelas fotografias. mas li (e continuo a ler) bastante sobre o assunto. e até estudei, sublinhei e tirei apontamentos para o meu livrinho de receitas (que só tem praticamente dicas e truques). até sinto que se me derem trela consigo falar sobre compotas e as diversas designações, frutos ideais, pectina e acidez, diferentes açúcares, diversas técnicas, esterilização, o frasco perfeito etc etc durante uma tarde inteira (!!). mas ainda me desafio para tentar manter a cor mais viva (sem corantes) e o sabor mais natural (sem aditivos). e como em tudo, por vezes acho que consigo e noutras nem por isso. a minha busca continua...
ontem fiz compota de morango.
alguns morangos nesta altura ainda não estão bem maduros e por vezes nem doces. estes tinham boa cara, algum doce mas estavam um pouco rijos. o que é óptimo para fazer compota (quanto mais verde está o fruto mais pectina natural tem). usei um método diferente do que estava habituada mas resultou bem. usei menos açúcar, não demorou tanto tempo, manteve a cor e a textura dos morangos. e está uma delícia.para a próxima tenho é de aprimorar a minha técnica de tirar a espuma que se forma durante a cozedura.
como este ano tenciono fazer compotas para consumir no inverno, aproveitando ao máximo os frutos do verão, decidi etiquetar os frascos. usei a forma mais rápida e eficaz que tinha à mão, a dymo (e já só me restam essas duas fitas). de um lado do frasco a indicação de que compota é e do outro a data. não há como enganar.
ainda a tentar colocar as ideias no lugar e as coisas todas no portátil.parece que este ano a primavera chegou em grande.amanhã recomeço que para já só preciso de voltar a pôr o sono em dia.

ontem comi um delicioso cheesecake enquanto pus a conversa em dia com um ex-colega e um novo-amigo.
formatting my laptop.(save, delete, copy and paste, save, delete...)
parece que a minha padeira morreu de vez. o motor já não trabalha.assim hoje voltei a pôr as mãos na massa depois de uma breve pesquisa por receitas de pão. há uns tempos já tinha andado a experimentar fazer pão sem a máquina e, na altura, apontei algumas receitas. agora foi descobri-las e tentar lembrar-me dos pequenos pormenores a alterar. para hoje (re)fiz um pão branco. e mesmo antes de ir ao forno consegui estragar a parte de cima do pão, o que o fez ficar com uma crosta um pouco estranha.
do estrago ficou a sobrar um pouco de massa que moldei em forma de coração.
(outra e outra fotografia)
hoje é daqueles dias que sinto falta de amigas aqui ao meu lado. para me ouvirem e ampararem uma ou outra lágrima. e para me distraírem.
ando com uma dor de cabeça que não me larga.

no outro dia vi estas bonitas mantas e lembrei-me que devia mesmo comprar uma ou outra.fábrica alentejana de lanifícios, que (re)encontrei depois de ter ouvido a catarina portas a falar (de forma bastante inspiradora) sobre produtos tradicionais.
para a ana, mara e lena, a esperada mensagem encriptada (que resume muita coisa):ai ai aiai ai aiai ai ai
:: feira do pão quente e queijo fresco, em vaqueiros - alcoutim, este domingo.:: feira dos enchidos tradicionais, na serra de monchique, durante este fim-de-semana.:: passeios patrimónios do mar, no âmbito da exposição tavira: patrimónios do mar.:: passeios patrimónios da terra, também pelo concelho de tavira. cada passeio é sobre um tema específico (ver no site a calendarização e a descrição dos temas). já me inscrevi para o primeiro: do coberto vegetal, à tecelagem e aos artefactos e espero mesmo conseguir conciliar a minha agenda (leia-se, idas a casa) com os outros passeios.bom fim-de-semana e até segunda (para mim, o início de uma nova etapa).
oferecido pela mónica, acompanhado de muita conversa.oupôr em prática o que aprendi ontem à noite.
(e que canseira!)